A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou nesta quarta-feira (12) a suspensão das transmissões ao vivo e de outros recursos de compartilhamento de vídeo do Discord no Brasil. A decisão ocorre após a repercussão da morte de uma adolescente de 13 anos em um servidor privado da plataforma.
A determinação começa a valer em três dias úteis e permanecerá em vigor até que o Discord comprove a adoção de medidas consideradas suficientes para proteger crianças e adolescentes. Em caso de descumprimento, a ANPD poderá aplicar multa diária, cujo valor ainda será definido.
Segundo a agência, foram identificadas “graves violações” envolvendo o uso da plataforma, com episódios relacionados a violência, assédio e indução à automutilação e ao suicídio. A ANPD afirma ainda que a arquitetura do Discord dificulta o acompanhamento do conteúdo das transmissões enquanto elas acontecem, limitando mecanismos preventivos.
O caso ganhou repercussão após a morte de uma adolescente de 13 anos, em junho. Segundo as informações divulgadas, integrantes de um servidor privado teriam incentivado a automutilação da jovem. Na semana passada, a primeira-dama Janja Lula da Silva cobrou publicamente providências do governo e chegou a defender o bloqueio do Discord no país. Desde então, representantes do governo e da plataforma realizaram reuniões para discutir medidas de proteção.
O Discord nega omissão e afirma que identificou, investigou e desativou o servidor privado antes da morte da adolescente. A empresa também diz manter equipes especializadas no combate a atividades violentas e colaborar com autoridades. Dados da SaferNet Brasil apontam que as denúncias envolvendo a plataforma cresceram 54% nos sete primeiros meses de 2026, passando de 264 para 406 registros na comparação com o mesmo período do ano passado.



