O promotor de Justiça Thalles Ferreira, do Ministério Público do Acre (MP-AC), e o juiz Caique Cirano Di Paula, do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC), relataram ter sido vítimas de ataques homofóbicos nas redes sociais após divulgarem imagens do casamento. A cerimônia foi realizada na praia e reuniu familiares e amigos próximos do casal.
Segundo Thalles, comentários ofensivos começaram a aparecer após a publicação de fotos do ensaio e da celebração. O promotor afirmou que decidiu tornar os ataques públicos por considerar que o silêncio seria incompatível com sua atuação profissional na defesa dos direitos humanos. “Nós, um promotor de Justiça e um juiz, fomos vítimas de ataques homofóbicos nas redes sociais simplesmente porque decidimos celebrar publicamente a nossa união”, declarou.
Alguns internautas também questionaram uma possível relação profissional entre os dois. Thalles esclareceu que eles não trabalham juntos e não podem atuar conjuntamente nos mesmos processos. O promotor atua há dez anos no MP-AC e atualmente trabalha em Rio Branco. Caique é juiz titular da Vara Criminal da Comarca de Sena Madureira.
O promotor informou ainda que identificou perfis responsáveis por algumas das manifestações e preservou informações para avaliar a adoção de medidas legais. Segundo ele, a iniciativa não tem caráter de vingança, mas busca evitar a normalização desse tipo de violência. Thalles também chamou atenção para os impactos que ataques semelhantes podem provocar, especialmente entre jovens LGBTQIA+ que não contam com a mesma estrutura de apoio.
Thalles e Caique celebraram a união na última terça-feira, em uma cerimônia à beira-mar. Nas redes sociais, o promotor descreveu o casamento como um momento íntimo e de celebração ao lado de pessoas próximas. Apesar da repercussão negativa provocada por alguns comentários, afirmou que o episódio reforçou sua percepção sobre a importância de discutir publicamente a homofobia e combater manifestações de intolerância.



