Mesmo após o anúncio de um cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz, o setor aéreo global não deve sentir alívio imediato. Apesar da queda do petróleo para abaixo de US$ 100 por barril, especialistas apontam que os impactos positivos ainda levarão tempo para chegar às companhias e aos consumidores.
Segundo Willie Walsh, o custo do combustível continua sendo o principal fator de pressão sobre o setor. Ele avalia que a trégua não resolve os gargalos estruturais da cadeia de produção e refino, o que mantém o querosene de aviação em níveis elevados e sustenta a tendência de alta nas passagens.
A valorização do petróleo, que já acumula alta superior a 50% desde o início do conflito, tem impacto direto nas tarifas. Companhias como a Delta Air Lines projetam aumento bilionário nos custos com combustível, reforçando a correlação entre o preço do barril e o valor das passagens.
Outro ponto de preocupação é a falta de estoques estratégicos de querosene de aviação. Diferente do petróleo bruto, esse tipo de combustível não é armazenado em grande escala, o que torna o setor ainda mais vulnerável a oscilações internacionais. A expectativa é que o cenário só comece a se normalizar nos próximos meses, dependendo da estabilidade geopolítica e da capacidade global de refino.



